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AND THERE'S NO DRIVER AT THE WHEEL


20
Dez16

Viagem a Itália: Verona, parte I

Viagem a Itália: Verona, parte II

Viagem a Itália: Porto Venere

 

 

Cinque Terre significa literalmente "cinco terras". São cinco pequenas vilas na costa da Ligúria: Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso al Mare. Em conjunto compõem as Cinque Terre mas cada uma delas é autónoma e independente das outras.

 

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Corniglia

 

 

 

Pode fazer-se o percurso entre elas de carro, comboio, barco ou mesmo a pé através de uns trilhos que existem precisamente com essa finalidade. Esses trilhos, no total, estendem-se ao longo de cerca de 10/12 kms. 

 

Nós optámos por levar o nosso fiel companheiro, o Fiat, e começámos na terra mais a sul e mais perto de Porto Venere, Riomaggiore, e fomos subindo para norte. 

 

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Este dia revelou-se uma prova de fogo para o carro. Subir montes, descer montes, curvas e contracurvas, troços da estrada em mau estado, troços muito estreitos. Não recomendo a quem tem vertigens ou quem enjoa com facilidade. Houve alturas em que pensei que íamos ficar pelo caminho mas o Fiat esteve sempre à altura.

O grande contra de ir de carro é que este não pode entrar nas vilas, tem de ficar nos parques de estacionamento pagos à entrada das mesmas. Isso acabou por fazer com que não chegássemos a entrar em Riomaggiore porque não encontrámos lugar para o carro. Acabámos por seguir para Manarola e no regresso, se tivéssemos tempo, voltávamos a tentar. O grande pró é a vista a partir da estrada, com possibilidade de sair do carro de vez em quando para absorver tudo ao nosso ritmo e aproveitar para tirar algumas fotografias. 

 

    

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 Riomaggiore

 

 

 

A paisagem nesta zona de Itália é linda. O mar, as vinhas e olivais nas encostas, as casas coloridas nas várias povoações.

 

Manarola é a segunda vila mais pequena, a seguir a Corniglia. Conforme vamos caminhando em direcção ao centro começamos a ver vários barcos como que estacionados uns ao lado dos outros e um pequeno porto. Várias pessoas aproveitavam para apanhar banhos de sol e para nadarem no mar. Um dos percursos pedonais que existe de lado é perfeito para tirar fotografias e apreciar a vista. 

 

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 Manarola

 

 

 

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Manarola

 

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Corniglia vista de Manarola

 

 

 

Corniglia é a única das cinco que não está directamente ligada ao mar, não tem um porto. Encontra-se firmemente fixada no topo de um rochedo e as casas aqui são ligeiramente diferentes, não são tão altas ou tão estreitas quanto nas outras terras.

Foi em Corniglia que almoçámos neste dia. Eu comi uma pizza napolitana que se revelou a melhor pizza que já tive o prazer de comer e o Pedro comeu uma lasanha que também era deliciosa. No fim quando íamos pagar a conta e o empregado de mesa me viu a mexer na mala, olhou para mim e, num misto de reprovação e brincadeira, disse de forma solene:

 

- In Italy the man pays!

 

Nós limitámo-nos a sorrir com o comentário. Quero acreditar que ele sabe bem o século em que estamos.

 

Comemos depois um gelato, como já era habitual. Frutos silvestres e café para mim e café e straciatella para ele. Itália deve ser um dos piores sítios para se pensar em dietas.  

 

 

 

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 Corniglia

 

 

 

 

 

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 Corniglia

 

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 Corniglia

 

 

 

O percurso entre o parque de estacionamento e a entrada de Vernazza foi o mais longo de todos e se num dia ameno acredito que se faça bem, naquele em que fomos foi um pouco infernal por causa do calor, daquele que faz a roupa colar-se toda ao corpo e ainda por cima eu tive a infeliz ideia de ir de calças de ganga nesse dia o que não ajudou. 

 

Vernazza é considerada por muitos a mais bonita das cinco e era aquela que eu tinha mais curiosidade em conhecer depois de ver várias fotos ao longo dos anos. Percebi que definitivamente não estava sozinha nessa curiosidade tal era a quantidade de pessoas com o mesmo propósito. 

 

 Aqui o porto já é maior que o de Manarola e num dos lados existe uma igreja e no outro um passeio que se estende até formar um quebra-mar. Deste lado, após subirmos umas escadas por entre os edifícios, chega-se a um pequeno castelo com uma torre circular. 

 

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Vernazza

 

 

 

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Vernazza

 

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 Vernazza

 

 

 

 

Monterosso é a maior das cinco e assemelha-se a um resort turístico. Está dividida em duas partes e existe um túnel que as liga. Tem uma praia com um areal como não existe nas restantes e deve ser de todas a que atrai mais pessoas nos meses de calor. Por ser a maior também é aquela onde andamos mais à vontade, sem dezenas e dezenas de pessoas à nossa volta. 

 

 

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Monterosso al Mare

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Monterosso al Mare

 

 

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Vernazza vista a partir de Monterosso al Mare

 

 

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Monterosso al Mare

 

 

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Monterosso al Mare

 

 

 

 

Dei por mim a pensar várias vezes como seria viver num sítio como as Cinque Terre que em tempos foi um segredo muito bem guardado. Uma parte do mundo escondida, isolada, pacata, onde as pessoas provavelmente se conheciam quase todas, faziam a sua vida normalmente, voltadas para o mar e a pesca, para o cultivo das oliveiras, para a produção de vinho. Penso na mudança radical que terá sido quando o turismo começou a crescer desenfreadamente a partir dos anos 70 quando um jornalista escreveu sobre estas terras e o segredo deixou de o ser. 

 

Calcula-se que este destino turístico atrai milhões de visitantes todos os anos e chegou a falar-se recentemente em limitar as visitas precisamente para preservar este lugar porque o impacto do turismo tem deixado marcas. Só em 2015 passaram cerca de 2,5 milhões de pessoas por aqui. Por outro lado é precisamente o turismo que injecta dinheiro nestas partes e possibilita uma vida melhor para muitas destas pessoas.

 

Acredito que se sintam divididas, acaba por ser uma bênção e uma maldição, simultaneamente. Eu própria me senti dividida: a minha visita estava a contribuir para incomodar ou para ajudar estas pessoas? Provavelmente um pouco das duas coisas, na mesma medida.

 

No final não regressámos a Riomaggiore por falta de tempo mas a viagem valeu pelas outras quatro. Também serve como desculpa para voltar um dia, quem sabe.

 

Foi um dia muito bem passado e inesquecível. Antes de sairmos de Monterosso ainda houve tempo para ele dar uns mergulhos e para eu molhar os pés (água fria!). Já estava a preparar as despedidas da Ligúria, no dia seguinte era altura de seguir viagem e dizer adeus a Porto Venere.

 

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O próximo capítulo desta história será em Florença, com uma passagem por Pisa.

 

 

 

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Rita

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