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AND THERE'S NO DRIVER AT THE WHEEL


Há dias estava a fazer o exercício de pensar quais os filmes do ano passado que mais tinha gostado e reparei que não vi muitos, e de todos o único que sinto que merece destaque é o "One More Time With Feeling". 

 

 

 

 

 

Este documentário mostra-nos a fase final das gravações do álbum "Skeleton Tree" de Nick Cave and the Bad Seeds. O álbum começou a ser gravado no final de 2014 e a meio desse processo, em Julho do ano seguinte, um dos filhos do cantor morreu de forma inesperada e trágica, o que inevitavelmente marcou aquele registo musical. 

 

Não terá sido tarefa fácil para o realizador encontrar o tom certo que fizesse passar a essência do álbum, que fosse fiel ao espírito que está por trás dele e o processo criativo inerente, sem expor aquela perda de forma abusiva. Pessoalmente achei que isso foi conseguido, que não se trata da exploração da dor de uma família, mas sim do seu retrato honesto e cru, no rescaldo de uma experiência tão traumatizante. 

Este documentário foi a maneira que o Nick Cave encontrou para promover o álbum nos seus próprios termos, sem ter de lidar com a imprensa. 

 

É notório o estado de espírito confuso, vulnerável e contido, por vezes anestesiado, tanto dele quanto da mulher; do desnorte que se ouve no tom de voz, na linguagem corporal, nos olhares. 

Sem rodeios e de forma simples, mas contundente, é-nos passada a imagem do que é a vida agora para eles. Como há perdas que nos tornam pessoas que deixamos de reconhecer e não temos controlo sobre isso. Como passamos a ter atitudes que não temos como explicar.  Mesmo assim, e apesar de tudo, no filme há também espaço para percebermos uma enorme coragem naqueles pais. A escolha que fazem de perseverar, acima de todas as circunstâncias.

 

No fundo aquilo que o Nick Cave ainda vai sabendo fazer com o que lhe aconteceu é música, o que sempre fez. Cada um lida e exterioriza da forma que consegue.

As oito músicas do álbum são tocadas no filme e são difíceis de ouvir porque transmitem um sentimento de profunda tristeza, sem artifícios, sem floreados, mas ao mesmo tempo são também profundamente bonitas. 

Algumas das músicas filmadas para o documentário tornaram-se vídeos oficiais.

 

 

 

 

  

Depois de ter visto, nos dois ou três dias seguintes, não consegui separar-me do sentimento de vazio e de angústia que se colou a mim e só voltei a pegar no álbum quase dois meses depois disso. Se mesmo assim acho que este documentário deve ser visto? Absolutamente. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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9 comentários

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De Chic'Ana a 02.02.2017 às 19:10

Não tinha conhecimento deste documentário, mas fiquei muito curiosa. Vou procurar para ver! :)
Beijinhos
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De Rita a 03.02.2017 às 14:16

Assim que puderes vê, está muito bem feito e o álbum também é muito bom.
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De Nuno Bento a 03.02.2017 às 14:00

Great post!
Adorei o filme também. Adorei porque retrata da forma possível a inenarrável perda de um filho, que eu não sei o que é, nem quero vir a saber.
Adorei a parte final onde ele recorre à metáfora do elástico; que a perda do filho é um lugar que está ali, que ele sabe que está ali e do qual ele se tenta afastar o mais possível, mesmo sabendo que "o elástico" o vai puxar de volta a qualquer momento.
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De Rita a 03.02.2017 às 14:14

Sim, o elástico é uma metáfora perfeita. Há alturas em que ele, com uma frase ou duas, acerta tão em cheio... E adorei quando diz também que no meio de tudo aquilo eles escolhem estar vivos e felizes, como se fosse um acto de rebeldia ou vingança.
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De Nuno Bento a 03.02.2017 às 14:16

Exactly! Essa é a grande frase do filme :)
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De Olivia a 04.02.2017 às 01:04

Nunca vi mas parece interessante.
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De Rita a 04.02.2017 às 11:52

Sim, é um filme que vale mesmo a pena ver.
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De Jessica Teles Diary ❤ a 04.02.2017 às 15:16

Nunca vi. Normalmente não vejo documentários. Só os que me são sugeridos. Vou ver se arranjo um tempinho para ver este
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De Rita a 04.02.2017 às 20:05

Por acaso gosto bastante de documentários e este é muito bom :)

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