Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

AND THERE'S NO DRIVER AT THE WHEEL











Kenneth: It's that time and that place and that song, and you remember what it was like when you were in that place. And then you listen to that song, and you know you're not in that place anymore, and it makes you feel hollow. You can't just go find that stuff again.


Tenho muitas vezes saudades de certas alturas e vivências que tive mas não de forma nostálgica. Claro que tenho por vezes, aqui e ali, esse sentimento mas acho que é desperdício do presente querer revisitar, ou melhor, querer reviver o passado. 
Pensar num tempo e num espaço que já não existem e querer habitá-los novamente, querer voltar a ter uma experiência que já tive e que obviamente nunca seria a mesma porque eu já não sou a mesma. 
As memórias do dia de hoje deixariam de existir amanhã, se o gastasse a reviver o dia de ontem... Sem falar que há a tendência de filtrar sempre o que de mau também existiu e como pode o presente competir com uma visão idealizada do passado?...
Tudo acontece na altura em que é suposto e é nesse exacto momento que temos mais é que viver. É tão efémero, mais vale vivê-lo ao máximo porque vai terminar tão rápido quanto começou.

Isto dito, das coisas que mais gosto que me aconteçam e que me põem sempre um sorriso na cara é quando inesperadamente ouço uma música que me transporta automaticamente para um dos meus lugares. Quando do nada dou por mim a ver-me do lado de fora, a recordar algo que foi tão marcante e vive em mim mesmo que esteja anos e anos adormecido. Faz-me sentir tudo menos vazia. Faz-me sentir que houve e há vida, em mim.   

Gostei do filme, mais do que estava à espera. 




Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Nuno Bento a 07.11.2012 às 23:33

Mais um fantástico post! Este, sobre um assunto que eu até acho que já abordei lá no meu tasco: aquela música que nos transporta holograficamente para um tempo e um espaço onde fomos felizes e, naquele momento, estamos ali, noutro lugar.
A análise do Kenneth (presumo que seja um personagem do filme) vai ainda mais longe e faz aquilo que eu chamo de 2ª derivada (geek, I know... :P ). Fala daquele imdediatamente a seguir ao momento de felicidade: o momento em que nos apercebemos que afinal estamos no mesmo sítio. E aí há, de facto, um vazio enorme, um murro no estômago que nos traz de volta à realidade. Eu já senti isto e até já o expressei, nestas palavras, numa conversa com uma namorada antiga. :P
Incrível quando passados uns anos vemos a mesma reflexão feita por outro tipo e ele sente o mesmo que nós! Adiante :)

As memórias do dia de hoje deixariam de existir amanhã, se o gastasse a reviver o dia de ontem...

É um facto. Mas há coisa melhor do que rever um bom filme na nossa cabeça? Principalmente se for o filme da nossa vida?

Sem falar que há a tendência de filtrar sempre o que de mau também existiu e como pode o presente competir com uma visão idealizada do passado?

Este é, talvez, o meu principal defeito. Pelo menos aquele defeito que eu identifico como o mais nefasto para mim.
Esquecer-me das coisas más.
Pois, à primeira vista, parece uma qualidade e não um defeito, não é? Nada mais falso, porque quem guarda só as boas memórias e esquece as outras, tem maior tendência a repetir erros do passado...

Fogo, está aqui praticamente quase um post! Temos praticamente as mesmas ideias de escrita :P
Sem imagem de perfil

De R. a 09.11.2012 às 21:16

You're too kind! :P
Eu lembro-me de falarmos qualquer coisa sobre isto a propósito dos Simple Minds por acaso...

Eu percebo (e já senti isso várias vezes) mas tento afastar-me o máximo possível do sentimento de vazio. Tento ficar só com a parte boa de ter essas recordações... Claro que nem sempre é possível.

É bom reviver certas coisas do passado, o filme da nossa vida como dizes mas estava mais a pensar naquelas pessoas que fazem disso uma constante... Acho que não é saudável. Recordar sim mas querer estar "lá" só se está a perder tempo precioso no presente.

É o teu defeito e o de muita gente. Realmente o passado tem esse propósito, ensinar-nos algo. E enquanto não aprendermos, vamos cometer sempre os mesmos erros.
Comigo passa-se algo contraditório: por um lado até esqueço o mau e idealizo coisas que não foram exactamente como eu me recordo mas por outro lado tenho memória de elefante com tudo o que de bom e mau isso traz. E isso traz-me imensos conflitos...


Lol! confere :P quantas vezes não me leio no que escreves :)

Comentar post



Rita

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.





Pesquisar

  Pesquisar no Blog

blogs Portugal


Apontamentos

Nuno Joana Maggie Inês