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THE CAR IS ON FIRE

AND THERE'S NO DRIVER AT THE WHEEL

24
Nov16

Verona, parte II

Rita

 

Primeira parte

 

 

Em Verona existem várias pontes e atravessando uma delas, a Pietra, rapidamente se chega a uma encosta que tem dois pontos de interesse: o Teatro Romano e o Castel San Pietro.

 

O Teatro Romano foi construído no século I a.C. e hoje em dia ainda se conseguem ver as ruínas, principalmente na zona da plateia e parte do palco. Por alturas do Verão são organizados alguns espectáculos aqui e no dia em que lá estivémos estava um palco montado com toda a parafrenália associada. 

 

O percurso entre o Teatro Romano e o Castel San Pietro obriga ao exercício físico porque ainda é uma subida considerável e não vou mentir, já estava a maldizer a minha vida porque nunca mais chegávamos, mas calei-me quando olhei para a cidade a partir dali.   

 

 

P1040725Castel San Pietro no topo rodeado por ciprestes (e uma parte do Teatro Romano mais em baixo)

 

 

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A ponte Pietra vista a partir do Teatro Romano

 

 

P1040732Vista a partir do Teatro Romano

 

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 Vista a partir do Castel San Pietro

 

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Vista a partir do Castel San Pietro

 

 

 

 

Uma das atracções mais famosas de Verona é a casa de Julieta, particularmente a varanda onde supostamente Romeu lhe fez juras de amor eterno. Quem quiser pode fazer uma visita à casa, varanda incluída. Dito isto, é um daqueles sitios que atrai muitas pessoas mas não oferece algo de muito significativo. 

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A varanda

 

No átrio da casa foi colocada uma estátua de Julieta e muitas pessoas tocam na mama direita da mesma porque acreditam que traz sorte no amor. Havia uma fila enorme de pessoas à espera da sua vez e, para se ter uma ideia, essa parte da estátua de tanto ser tocada, já está desfigurada (se quiserem podem ver no vídeo abaixo). 

 

 

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estátua de Julieta

 

 

 

 

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Restaurantes na Piazza Bra

 

A Piazza Bra é a mais ampla de Verona e na entrada existe o Portoni della Bra, com arcos romanos e um grande relógio; o palácio Gran Guardia; o palácio Barbieri, onde funciona a câmara municipal e é aqui também que está a Arena di Verona. É espantoso pensar como aquele anfiteatro sobreviveu estes anos todos e ainda hoje é usado com tanta frequência.

 

Vimos dois ou três "gladiadores" que costumam andar por aqui mas estes dos tempos modernos em vez de entreterem o público a lutar com outros gladiadores ou animais selvagens ganham a vida a tirar fotos com turistas.     

 

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Arena di Verona

 

Uma das coisas que me deixa mais feliz na vida é ouvir música ao vivo. Sabia bem a oportunidade única que era poder ver o David Gilmour, mesmo não conhecendo a fundo a discografia toda a solo e a discografia com os Pink Floyd, mesmo não sendo um dos meus artistas preferidos.

 

Tinha muitas expectativas, afinal trata-se de uma das figuras mais lendárias da música, mas por mais altas que pudessem ser nunca estariam à altura do que ouvi. Quando o som sai daquela guitarra, não é deste mundo. É como se o David fosse ele próprio um instrumento que está a ser usado por algo superior a ele. Quem está a assistir consegue perceber que está a ser testemunha de algo muito, muito especial.

 

Eu adoro o Bruce Springsteen, e o concerto de Gijón foi o concerto que vivi de forma mais intensa até hoje, que me "curou" quando eu mais precisava, mas neste do David Gilmour o sentimento foi de deslumbramento absoluto. 

Foi uma noite inesquecível. Os ecos da "High Hopes", "Money", "Time", "Comfortably Numb" e tantas outras ficaram comigo desde aquela noite e continuam a fazer-me companhia.  

 

 

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Arena di Verona ainda antes do concerto

 

 

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 durante o concerto

 

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zoom no David

 

 

 

 

Verona foi um lugar que me foi conquistando aos poucos, pé ante pé, muito subtilmente. É um sítio que convida a passear, que apetece conhecer e explorar. Não tinha expectativas boas nem más, fui de espírito aberto e gostei muito daqueles dias.  

 

Trouxe muitas memórias, mas algumas das que me ocorrem desde logo são o primeiro impacto com condutores italianos que têm tendência para esquecer que os peões existem mesmo estando nós na passadeira; aquela senhora a tocar violino na rua e a delicadeza com que o fazia, parecia que estava a enfeitiçar quem a ouvia; a trovoada com contornos de fim do mundo numa das noites; os gelados deliciosos de pêssego, côco, straciatella, nutella, menta, chocolate, café, crema; aquele jardim ao pé do Castelvecchio onde as pessoas andavam a molhar os pés numa espécie de lago de pouca profundidade num dia bonito que convidava a isso mesmo; as pizzas, o tortellini, o spaghetti... Podia continuar mas por agora fico por aqui. Até qualquer dia, Verona.

 

 

 

 

 

Próxima paragem: Porto Venere

16
Nov16

Verona, parte I

Rita

A história deste post (e dos que se vêm a seguir) tem a sua origem em Março de 2015, com o anúncio da tour Rattle That Lock do David Gilmour, guitarrista dos Pink Floyd.

 

Contexto: os Pink Floyd são uma das bandas preferidas do Pedro e esta notícia significava a oportunidade de irmos a pelo menos um dos concertos. Tendo em conta que a tour não ia passar por Portugal, a preferência foi para a data de Verona, em Itália, a 14 de Setembro do ano passado.

 

(Trata-se de uma viagem feita há mais de um ano mas que na altura, por preguiça e falta de disponibilidade mental, acabei por não criar um registo escrito digno da mesma.)   

 

O que inicialmente começou como uma simples viagem a Verona, com o propósito de ir ao concerto, acabou por rapidamente crescer para a ideia de uma viagem mais longa e com mais paragens. Acabámos por decidir que seriam duas semanas e o itinerário final seria:

 

Verona (12 a 15 de Setembro); Porto Venere (15 a 17 de Setembro); Florença (17 a 20 de Setembro); Siena (20 a 21 de Setembro); Bolsena (21 a 23 de Setembro) e finalmente Roma (23 a 26 de Setembro). 

 

O espaço de tempo entre Março e Setembro daquele ano foi uma contagem decrescente, inversamente proporcional ao sentimento de ansiedade e antecipação. A vontade cada vez maior de pôr os pés em Itália e durante aqueles dias esquecer o trabalho, as obrigações, a vida em Portugal. 

 

Depois de meio ano de espera, finalmente chegou o dia 12 de Setembro (naquele misto contraditório de: "nunca mais chega... passou tão rápido!" ). Partimos no voo da TAP das 06:45 para Milão, Malpensa. Aqui iria juntar-se a nós aquele que seria o nosso fiel companheiro de viagem: um Fiat 500 cinzento. Ainda tenho um carinho especial por aquele carro alugado e sempre que vejo um Fiat 500 não consigo evitar sentir-me saudosa.

 

Os quilómetros percorridos e as horas passadas no "nosso" Fiat foram feitas ao som das radios italianas pois era a única opção que ele oferecia.

Uma música destacou-se mais que as outras porque passava constantemente. Tendo em conta que só percebiamos o básico de italiano, acabavamos por não conseguir saber nem o nome da cantora nem da música. Descobri, já em Portugal, depois de vasculhar os tops radiofónicos, que se tratava de uma rapariga italiana, Francesca Michielin, e que a música se chama "Battito di Ciglia" (ao que parece, algo como "num abrir e fechar de olhos").

A música em si não me diz muito mas quando a ouço transporta-me para aquele carro, pelas estradas e auto-estradas de Itália numa sucessão de dias que trago como alguns dos mais inesquecíveis da minha vida. 

 

 

 

 

 

 

A viagem entre Milão e Verona foi a primeira de muitas. Em Verona ficámos hospedados na Casa San Zeno, dos Salesianos, que funciona como hotel/albergue e como instituição de educação e fica a uma distância de cerca de 20 minutos a pé do centro histórico de Verona. O quarto era espaçoso, confortável; ficámos bem instalados sem gastar muito dinheiro.

 

O primeiro monumento que vimos quando começámos a explorar Verona foi a Basilica di San Zeno Maggiore na Piazza San Zeno. Foi construída em honra do santo padroeiro da cidade. Mesmo ao lado existe um pequeno jardim com restaurantes e geladarias.

 

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 Basilica di San Zeno Maggiore

 

 

 

Continuando o nosso passeio fomos dar ao rio Adige e percorremos uma das suas margens até chegarmos ao Castelvecchio. Este castelo é um belo edifício medieval construído em 1354 com o propósito de proteger a população de Verona na altura e também oferecer a possibilidade de fuga para norte, em direcção à Áustria. 

 

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  Ponte Scaligero e Castelvecchio

 

 

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 Vista a partir da ponte Scaligero

 

 

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Ponte Scaligero

 

 

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Cadeados colocados na ponte com declarações de amor

 

 

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Castelvecchio

 

 

 

Ao lado do Castelvecchio existe o Arco dei Gavi em honra de uma família importante e poderosa de Verona, os Gavi. 

 

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 Arco dei Gavi

 

 

 

 

 

Atravessámos a Porta Borsari que, nos tempos do império romano, quem seguisse pela Via Postumia para entrar na cidade de Verona, tinha de o fazer através desta Porta e nessa altura ela adoptava o nome de Porta Jovia.  

 

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 Porta Borsari

 

 

 

Andando mais um pouco acabámos por chegar à Piazza delle Erbe, uma praça ampla com vários restaurantes e lojas e que no centro tem uma fonte com a figura da Madonna Verona que simboliza a cidade. Nesta Piazza dá para observar as fachadas das Casas Mazzanti com as suas pinturas a fresco, a torre Lamberti (tem 84 metros e é a torre mais alta de Verona), a torre Gardello e o Palazzo Maffei. 

 

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 Piazza delle Erbe e a torre Lamberti à esquerda

 

 

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 Uma das fachadas com pinturas a fresco na parte superior

 

 

 

 

Adjacente à Piazza delle Erbe existe uma outra, a Piazza dei Signori (ou "Piazza Dante" como também é conhecida pois tem uma estátua de Dante no centro). Nesta praça existe o Palazzo della Ragione, Cortile Mercato Vecchio, o Palazzo del Capitano e Palazzo del Governo, Loggia del Consiglio e a Domus Nova.

Esta praça é considerada a mais aristocrática da cidade. De destacar o Palazzo della Ragione com os seus tijolos de cor alaranjada alternados com pedra e que albergou várias instituições políticas e administrativas ao longo dos vários séculos. A torre Lamberti tem este palácio na sua base, crescendo a partir daí em direcção ao céu. As escadas do Pallazo della Ragione têm o nome de Scala della Ragione (Escadaria da Razão) pois davam acesso aos tribunais. 

 

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 Palazzo della Ragione e a torre Lamberti

 

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 "Escadaria da Razão"

 

 

 

 

 

 

Num próximo post vou continuar a falar sobre Verona e sobre o concerto (será que valeu a pena ou será que foi uma desilusão? Fica para a segunda parte). 

 

 

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