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THE CAR IS ON FIRE

AND THERE'S NO DRIVER AT THE WHEEL

30
Dez16

"Born to Run" a autobiografia de Bruce Springsteen

Rita

 

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Como se explica a importância na nossa vida de alguém que nem sequer conhecemos pessoalmente?

 

 

 

 

 

Vi o Bruce Springsteen e a E Street Band ao vivo três vezes e em cada um desses momentos ou algo de significativo se estava a passar na minha vida ou estava a tentar lidar com as consequências desses acontecimentos.

 

A primeira vez, em 2012, coincidiu com um período em que me debatia com muitas questões relacionadas com a vida adulta, a pessoa que tinha sido até ali, a pessoa que queria ser, a angústia de perceber que a minha vida não era aquilo que projectei quando era mais nova e as implicações que isso trazia.

segundo concerto, sensivelmente um ano depois do primeiro, aconteceu uns meses depois da minha mãe ter sido diagnosticada com cancro e ter tido complicações muito sérias derivadas do tratamento.

O terceiro concerto, sobre o qual nunca cheguei a escrever, foi em Maio deste ano, quase um ano e meio depois da morte da minha mãe.

 

Viver não é propriamente simples ou fácil, e não é suposto ser. Existem momentos muito bons, e eu honestamente gosto de viver, de estar viva, mas existem alturas e fases muito complicadas de gerir e digerir. Por vezes isso nem chega a acontecer, aprendemos é a viver o melhor que podemos com o que nos acontece.

 

É difícil explicar como a música do Bruce Springsteen se tornou fundamental na minha vida, como me fez sentir menos sozinha porque percebi que as questões e assuntos que ele aborda em certas músicas são as mesmas questões existenciais que eu tinha, como me ajudou a ganhar perspectiva, como me trouxe alegria, como me fez sentir viva nos três concertos em que estive. 

 

Esta autobiografia é a oportunidade de ler nas suas palavras, na sua voz, o que de mais significativo lhe aconteceu e o moldou enquanto pessoa e enquanto músico. Essa narração envolve quem está a ler e cativa; é rica nas descrições de pessoas, lugares, acontecimentos, sentimentos.

A visão que teve desde novo para a carreira dele, a obstinação, obsessão, perfeccionismo para materializar essa visão. A vontade de deixar a marca dele na Música e manter um diálogo constante com os fãs através desse meio. 

 

A honestidade que me atraiu no Bruce Springsteen está presente neste livro. Dá-se a conhecer na sua humanidade, nas suas falhas enquanto pessoa e enquanto homem, na sua fragilidade e na luta contra os seus demónios. Fala abertamente da depressão que de tempos a tempos o assola e como lidou com a mesma ao longo dos anos, a relação de amor-ódio com o pai como um fio condutor na vida dele. 

 

Este livro é tudo o que podia esperar de alguém que admiro profundamente, alguém que não conheço pessoalmente mas a quem estou grata para lá do que as palavras podem expressar.

 

 

 

 

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