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THE CAR IS ON FIRE

AND THERE'S NO DRIVER AT THE WHEEL

04
Set18

O regresso à cidade eterna e a casa emprestada

Rita

Moby Dick de Melville, Storia d'Italia dal dopoguerra a oggi de Ginsborg, Poesie d’amore e di vita de Neruda, uma colecção de livros do Tintim, outra do Corto Maltese, um dicionário de mil provérbios italianos, uma biografia de Napoleão Bonaparte... Álbuns de Nat King Cole, Bruce Springsteen, John Coltrane, Bob Dylan, Neil Young, Pink Floyd, Miles Davis, e tantos outros. Os meus olhos percorrem as prateleiras brancas daquela estante que se estende até ao tecto e perdem-se entre a música e as lombadas dos livros.  

 

O quadro acima da cama de casal - Depero. Dal Futurismo alla Casa d'Arte - intriga-me. 

poster emoldurado da opera Lucia di Lammermoor a meio caminho entre o quarto e a porta da varanda prende sempre a minha atenção quando passo por ele, mesmo que depois das primeiras vezes já só o veja pelo canto do olho.

 

Abro a porta transparente e entro na varanda, decorada com dezenas de plantas, e sento-me numa das duas cadeiras que estão frente a frente na mesa verde quadrada. É quase pôr-do-sol e vejo as andorinhas num corropio umas atrás das outras, parecem jogar à apanhada no ar. Reparo nos prédios em frente repletos de antenas parabólicas.

 

 

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Ficámos em casa do Marco, um anfitrião italiano Airbnb, durante as três primeiras noites em Roma. O Marco parece estar na casa dos cinquenta, tem sorriso fácil e é bastante prestável. Imagino-o a ler aqueles livros e a ouvir aquela música, imagino que mundos para além deste isso lhe terá trazido. Durante o tempo que ali passámos estudo cada pormenor daquele espaço com atenção e dou por mim a fantasiar que aquela é agora a minha casa. 

 

Reza a tradição que uma vez em Roma, se quisermos regressar, devemos colocar-nos de costas para a Fontana de Trevi e lançar uma moeda com a mão direita por cima do ombro esquerdo. Na primeira vez que ali estive, há quase três anos, para além de não ligar muito a estas tradições, a fonte estava em obras e brinquei na altura dizendo que pelos vistos seria a minha primeira e última vez. 

 

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Este ano pude finalmente ver a fonte em condições (se é que se pode dizer isso quando estão tantas pessoas à nossa volta e o espaço é quase inexistente). Como quero regressar mais vezes, voltei a deixar as moedas quietinhas no bolso.

 

Um dos vários pontos altos nesta segunda viagem foi um bairro afastado do reboliço do centro histórico e que fica na outra margem do rio Tibre: Trastevere. Tibre em italiano é Tevere e o nome do bairro significa precisamente além do Tibre.

 

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Trastevere tem um charme muito característico com os seus edifícios antigos em tons pastel, as ruas estreitas onde vemos aqui e ali bicicletas encostadas, o verde das trepadeiras que sobem pelos prédios, e das plantas nas janelas e nas entradas.  

A Piazza di Santa Maria in Trastevere, onde existe uma basílica com o mesmo nome, é um dos pontos chave do bairro. No centro da praça há uma pequena fonte, uma das mais antigas de Roma, e alguns restaurantes à volta. 

 

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Aproveitámos para almoçar num restaurante mesmo ao lado da Igreja de Santa Cecilia in Trastevere cuja especialidade é cacio e pepe (esparguete com queijo e pimenta preta). O impacto logo na primeira garfada é intenso. O queijo tem um sabor forte e a pimenta acentua essa intensidade. 

 

Trastevere é perfeito para passeios sem rumo e sem pressas. Convida a andarmos pelas suas ruas ao sabor do momento e apreciar o que vemos, ouvimos e cheiramos.  

 

Continuarei a falar mais sobre esta viagem nos próximos posts. 

 

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