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THE CAR IS ON FIRE

AND THERE'S NO DRIVER AT THE WHEEL

16
Fev17

Stalker

Rita

 

O filme [Stalker] precisa de ser mais lento e tedioso no início para que os espectadores que entraram na sala de cinema errada tenham tempo de a abandonar antes que a acção propriamente dita comece.

 

 

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 daqui

 

 

 

 

A frase é do realizador, Andrei Tarkovsky, em resposta a uma crítica feita ao filme afirmando que o mesmo "deveria ser mais rápido e dinâmico".

 

Em breves traços "Stalker" é a história de um homem que acede levar outros dois, o Professor e o Escritor, até um lugar conhecido como a Zona para encontrarem um quarto que concede os desejos de quem lá entra.

 

A ideia é bastante simples, mas a viagem que os três fazem revela-se muito mais profunda que isso.  

 

 

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 daqui

 

 

 

 

Tanto gosto de ver filmes mais comerciais quanto filmes mais introspectivos, dependendo do meu estado de espírito. Escolho de acordo com a vontade de ver algo para me distrair, para me entreter, ou a vontade de me abrir a experiências novas, que me levem a reflectir um pouco mais sobre a vida, sobre a visão de outras pessoas; descobrir perguntas que até então não me tinham surgido, alimentar-me da sabedoria dos outros. 

 

Este filme requer disposição e abertura para ser visto. São mais as coisas que parecem jogar contra que a favor dele, na altura de nos sentarmos a vê-lo. É falado em russo, dura quase três horas, é possível que só o interiorizemos melhor com várias visualizações, não foi feito com a preocupação de atrair e agradar o público, e não, definitivamente não é um filme "rápido e dinâmico". Apesar de tudo isto, é um filme que nos permite fazer uma viagem paralela àquela que estamos a ver no ecrã e isso é gratificante e supera todos os aparentes contras. 

 

  

Nunca tentes expressar a tua ideia ao público - é uma tarefa ingrata e sem sentido. Mostra-lhes vida e eles encontrarão dentro de si próprios os meios para aceder à mesma e apreciá-la. 

 

 

 

Ao contrário de vários realizadores que sentem a necessidade de explicar os seus filmes, de quase mastigá-los e dar à boca dos espectadores, o Tarkovsky é um daqueles que respeita a inteligência de quem o está a ver.

É-nos dada uma história para explorarmos à nossa vontade e cada um faz a interpretação que entende e permite-se ligar emocionalmente - ou não - a essa mesma história. 

 

 

 

 

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