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AND THERE'S NO DRIVER AT THE WHEEL

George Harrison era habitualmente apelidado de quiet Beatle, aquele que se revelava mais discreto e reservado. Enquanto Paul McCartney e John Lennon dividiam as atenções, o George e o Ringo eram relegados para segundo plano.

 

Depois da banda se desintegrar o George Harrison lançou o álbum a solo "All Things Must Pass", em 1970, e agora era a vez dele de se chegar à frente e deixar a sua música brilhar. Trata-se de um álbum magnífico que surpreendeu toda a gente que não estava a contar que o quiet Beatle tivesse dentro de si a capacidade para criar uma obra desta qualidade. É considerado por muitos o melhor álbum a solo dos antigos membros da banda. 

   

 

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Hoje é um daqueles dias de sol que está mesmo a pedir pérolas como as do "All Things Must Pass". Se ainda não conhecem experimentem ouvir e dificilmente se vão arrepender. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O Damien Rice é um daqueles artistas cujo nome costuma passar despercebido a muita gente, no entanto tem várias músicas - estrategicamente colocadas em filmes e séries - que se foram tornando familiares para essas mesmas pessoas. Quem não reconhece a música deste trailer, por exemplo?

 

 

 

 

 

Ele lança álbuns ao ritmo que entende ser o necessário e sem pressões, leva o seu tempo sem se precipitar.

No espaço de doze anos lançou três álbuns e entre o segundo - "9" - e o mais recente - "My Favourite Faded Fantasy", de 2014 - passaram oito anos.

 

 

Andei vários anos à espera que viesse a Portugal e finalmente isso aconteceu em 2015, no Primavera Sound do Porto. Nestas coisas às vezes quanto maiores as expectativas, maior a desilusão também. Sem falar que habitualmente os festivais não são o melhor sítio para concertos mais intimistas, principalmente numa era em que se tornou moda ir a estes eventos por todas as razões e mais algumas menos pela música. Felizmente foi muito melhor do que estava a antecipar, justificou todo aquele tempo que esperei para o ver.

 

Ele sozinho enche o palco. Não precisa de um espectáculo elaborado de luz e som, pirotecnia ou coisas rebuscadas, para mostrar ao que vem ou usar isso para disfarçar pouco talento. Com ele é tudo simples e eficaz.

O que mais gosto no Damien Rice é a intensidade e a entrega que não nos deixa indiferentes. Ele e os seus amores, desamores, desesperos, frustrações, pensamentos... Ele mostra-se como é, com toda a vulnerabilidade a que isso obriga. Ele compreende que para soar real tem de ser completamente honesto e é algo que eu admiro bastante; requer uma grande dose de coragem.

 

O clímax do concerto foi já no fim quando tocou a música "It Takes a Lot to Know A Man", do último álbum. Parece um "jogo" com vários instrumentos construindo algo similar ao que se vê no vídeo abaixo (que foi filmado num outro concerto da mesma tour). Vale a pena ver até ao fim para perceberem melhor do que estou a falar.

 

 

 

Não há fome que não dê em fartura e no Verão do ano passado voltou para mais dois concertos, um em Lisboa e outro no Porto. Eu fui ao de Lisboa, no Coliseu dos Recreios, e foi ainda melhor que o concerto de 2015. Desta vez era o público dele, que vinha de propósito para o ver. O concerto também foi mais longo e aquela sala promove uma envolvência especial, diferente de um espaço aberto. 

 

 

Ainda em relação ao álbum mais recente há uma música que se tornou rapidamente uma das minhas preferidas, chamada "The Box". Acho que é uma metáfora perfeita para muito daquilo que nos retrai e impede de sermos completamente quem somos.  

 

 

"This is a conversation with your... the part of you that kills your dreams. Tells you that you're not good enough (...), and keeps you addicted to the stuff that just does not bring any sort of joy at all."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Rita

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