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AND THERE'S NO DRIVER AT THE WHEEL

09
Mai18

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 daqui

 

 

 

Mourão é uma vila alentejana, junto ao rio Guadiana, e que fica muito perto da fronteira com Espanha. Nunca tinha lá estado nem estava no itinerário original dessa viagem, mas proporcionou-se passar por lá.

Não se vêem aqui muitos turistas nem muitos habitantes locais; existe aquela paz característica do Alentejo profundo.

 

No ponto mais alto da vila há um castelo e quando lá entrei tinha à minha espera um cenário digno de algo saído da poesia de Alberto Caeiro. Subitamente Toda a paz da Natureza sem gente vem sentar-se a meu lado e eu limitei-me a estar presente e observar.

 

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 XXVII

 

Só a Natureza é divina, e ela não é divina...

 

Se às vezes falo dela como de um ente

É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens

Que dá personalidade às coisas,

E impõe nome às coisas.

 

Mas as coisas não têm nome nem personalidade:

Existem, e o céu é grande e a terra larga,

E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...

 

Bendito seja eu por tudo quanto não sei.

Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.

 

 

“O Guardador de Rebanhos”  Alberto Caeiro

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Quando se está em Mértola é inevitável sentir o peso da História naquele que foi um ponto estratégico, comercial e militar importante. O rio Guadiana foi testemunha disto mesmo e teve um papel bastante relevante em termos defensivos.  
 
Ao longo dos anos muitos foram os povos que passaram por esta vila pacata alentejana. Há vestígios de presença humana que remontam ao Neolítico, e por ali passaram fenícios, romanos, visigodos e mouros.
 
 
 
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O castelo de Mértola surge em posição de destaque, com o seu ar imponente no cimo da vila. A partir daqui podemos admirar esta localidade e observar com toda a calma do mundo o rio e a sua serenidade. Mesmo ao lado do castelo encontramos a Igreja matriz que originalmente era uma mesquita árabe.
 

 

 

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Mas nem só da vila vive esta região, há mais para conhecer e aproveitar, como por exemplo a praia fluvial da Albufeira da Tapada Grande, também no concelho de Mértola. Esta praia é um lugar muito tranquilo e oferece sessões de cinema, espectáculos musicais e animação desportiva. É uma excelente escolha para dias de calor.
 
 
 

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Outro ponto de interesse que merece ser visitado é a Mina de S. Domingos. Este complexo foi criado no século XIX para explorar uma mina de pirite, mas o depósito até já tinha sido explorado anteriormente, na época pré romana e romana. Na fase de exploração da época moderna (entre 1854 e 1966) os principais elementos extraídos eram cobre e enxofre.
 
 
 

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Hoje em dia o que podemos ver é um autêntico museu a céu aberto, as ruínas daquilo que foi deixado para trás quando a mina foi encerrada. Quando lá estive dei por mim a tentar imaginar a vida árdua que as pessoas que aqui trabalharam teriam e o que será que lhes aconteceu após o encerramento. A presença delas faz-se sentir e mereciam que este lugar fosse conservado de outra forma, em vez de ser votado ao abandono.
 
 
 

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O porto fluvial do Pomarão começou a ser construído aquando da redescoberta da mina em 1854. Foi ainda construída uma aldeia e um caminho de ferro na mesma altura. Este caminho de ferro fazia a ligação entre a mina e o porto.
Enquanto a mina se manteve em funcionamento, centenas de navios navegaram no rio Guadiana transportando o minério. 
 
 
 

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A cascata do Pulo do Lobo fica a cerca de 18 km de Mértola e ganhou este nome, segundo reza a história, pois as margens do rio Guadiana nesta zona estão tão próximas que até um lobo conseguiria passar de uma para a outra com um simples salto. Nesta cascata a água cai de uma altura superior a 20 metros o que faz dela a maior queda de água na zona sul do país. Há duas formas para aqui chegar: nascente e poente. Nascente é a mais complicada porque obriga a uma descida (e depois subida) tortuosa que se não se tiver muito cuidado pode correr mal. 
 
 
 

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 O Alentejo é uma região que nos últimos tempos tenho tido a sorte de ir conhecendo melhor. Mértola permitiu-me viajar não só no espaço mas também no tempo.

 

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Rita

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